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 Campos de Murundus: paisagens moldadas pela interação entre relevo, água, solo e vegetação
Os Campos de Murundus constituem uma fitofisionomia característica do Cerrado, reconhecida pela presença de numerosos microrelevos distribuídos sobre áreas relativamente planas. Esses pequenos montículos, conhecidos como murundus, alternam-se com depressões rasas, formando uma paisagem heterogênea que influencia diretamente a dinâmica da água, do solo e da biodiversidade.
Embora visualmente marcantes, os murundus representam apenas a expressão superficial de processos ecológicos e geomorfológicos muito mais complexos. Sua formação ainda é objeto de estudos científicos e não existe uma única explicação capaz de descrever todos os casos observados no Brasil. Atualmente, entende-se que diferentes mecanismos podem atuar de forma conjunta ou predominar conforme as características de cada região.
Entre as principais hipóteses propostas estão os processos geomorfológicos relacionados à erosão diferencial, à dinâmica hidrológica e à evolução natural do relevo, bem como a atuação de organismos engenheiros do ecossistema, especialmente cupins, capazes de modificar a estrutura superficial do solo ao longo de centenas ou milhares de anos. Em muitas áreas, acredita-se que a paisagem atualmente observada resulte da interação entre esses fatores, associada às características geológicas, pedológicas e climáticas locais.
A importância ecológica dos Campos de Murundus vai muito além da presença dos montículos. Esses ambientes desempenham papel fundamental na regulação da dinâmica hídrica da paisagem, influenciando a infiltração da água no solo, a recarga do lençol freático, o escoamento superficial e a manutenção da umidade durante diferentes épocas do ano. As variações de relevo, umidade e solo criam diversos microambientes que favorecem o estabelecimento de diferentes espécies vegetais e oferecem abrigo, alimento e locais de reprodução para inúmeros organismos do Cerrado.
Nas últimas décadas, o conhecimento científico sobre esses ambientes evoluiu significativamente. Em Goiás, esse avanço foi incorporado à legislação ambiental por meio da Instrução Normativa SEMAD nº 6/2025, que passou a considerar, entre os critérios técnicos para caracterização dos remanescentes de Campo de Murundus, a ocorrência de lençol freático aflorante ou subaflorante, integrada à análise dos atributos geomorfológicos, pedológicos, florísticos e hidrológicos. O próprio estudo destaca, entretanto, que a interpretação desses ambientes deve resultar da integração das diferentes evidências ambientais, uma vez que a norma não estabelece parâmetros quantitativos para definir o conceito de subafloramento nem critérios objetivos relacionados à profundidade do lençol freático ou à sua permanência temporal. 
Nesse contexto, foi desenvolvido, na Raizando Ecologia Humana, um estudo integrado reunindo monitoramento do comportamento do lençol freático, observações de campo, análise da drenagem superficial, levantamento florístico, estudos pedológicos, interpretação de imagens de satélite e comparação com uma área de referência. A integração dessas diferentes linhas de evidência permitiu compreender com maior detalhamento a organização ambiental da propriedade em escala local, evidenciando que a distribuição dos atributos associados aos Campos de Murundus não ocorre de forma uniforme na paisagem e deve ser interpretada considerando conjuntamente todos os elementos do ecossistema. 


VOLTA 
  PROXIMO   TRILHA INTERPRETATIVA

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