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Pl 03– A presença humana na Chapada dos Veadeiros
A história da humanidade representa apenas um breve instante quando comparada à idade da Terra. Enquanto o planeta possui aproximadamente 4,54 bilhões de anos, os primeiros hominíneos surgiram na África há cerca de 7 milhões de anos, iniciando a linhagem evolutiva que daria origem aos seres humanos atuais. Posteriormente, há aproximadamente 2,8 milhões de anos, surgiu o gênero Homo, caracterizado pela fabricação sistemática de ferramentas de pedra, maior capacidade cognitiva e crescente adaptação aos diferentes ambientes.
Há cerca de 300 mil anos surgiu o Homo sapiens, única espécie humana existente atualmente. A partir da África, nossa espécie expandiu-se gradualmente pelos demais continentes, alcançando as Américas durante o final da última Era Glacial e ocupando, milhares de anos depois, o território atualmente conhecido como Chapada dos Veadeiros.
As evidências arqueológicas demonstram que grupos humanos já habitavam o Planalto Central brasileiro há aproximadamente 11 mil anos. Na Chapada dos Veadeiros foram identificados diversos vestígios dessa ocupação, incluindo instrumentos líticos, oficinas de lascamento, fragmentos cerâmicos de ocupações posteriores e importantes sítios arqueológicos com pinturas rupestres.
Entre esses sítios destaca-se a Pedra Escrita, localizada nas proximidades da Vila de São Jorge. Estudos arqueológicos identificaram 221 pinturas rupestres, compostas predominantemente por figuras geométricas, além de representações humanas e animais, executadas com pigmentos minerais vermelhos, amarelos e pretos. As pinturas são atribuídas à chamada Tradição Geométrica, característica de diferentes grupos pré-históricos do Planalto Central. Embora ainda não exista uma datação direta para esse sítio, comparações com outros sítios arqueológicos datados em Goiás indicam uma idade aproximada de 11 mil anos. Isso significa que essas pinturas são cerca de 6 mil anos mais antigas que as pirâmides do Egito, constituindo um dos mais antigos registros da presença humana na região.
Além da Pedra Escrita, levantamentos arqueológicos registraram outros sítios com pinturas rupestres e vestígios de ocupação humana em diferentes áreas da Chapada dos Veadeiros, demonstrando que este território foi ocupado continuamente por grupos caçadores-coletores ao longo de milhares de anos.
Quando os europeus chegaram ao interior do Brasil, diversos povos indígenas ocupavam ou utilizavam esta região. Entre eles destacam-se os Avá-Canoeiro, Acroá, Goyá, Xavante, Kayapó, Karajá e Xacriabá, cujos territórios variaram ao longo do tempo. Esses povos desenvolveram profundo conhecimento sobre o Cerrado, utilizando seus frutos, plantas medicinais, recursos hídricos e o fogo de maneira controlada para favorecer a renovação da vegetação, facilitar a caça e reduzir o risco de grandes incêndios.
No início do século XVIII, a descoberta do ouro desencadeou a invasão bandeirante da região. Expedições oriundas principalmente da Capitania de São Paulo avançaram sobre os territórios indígenas em busca de metais preciosos e da captura de indígenas para escravização. Esse processo provocou conflitos, deslocamentos forçados, disseminação de doenças e a drástica redução das populações originárias, modificando profundamente a organização social e ambiental da Chapada dos Veadeiros.
Também durante o ciclo do ouro, numerosos africanos escravizados fugiram das minas e fazendas da região, encontrando refúgio nos vales, serras e veredas do norte da Chapada.
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